terça-feira, 22 de março de 2011

Apertos no peito e dias de chuva



Pode me chamar de louca, mas sempre gostei da chuva. O barulho faz bem para os meus ouvidos, o cheiro me agrada, os pingos no rosto fazem com que eu me sinta viva. Quando eu era criança gostava de ficar olhando pela janela, com certa melancolia no olhar, a chuva que insistia em cair e molhar uma árvore com folhas amarelas que tinha na frente da minha casa. No meio disso, meu pensamento ia longe, se perdia, depois voltava para mim cheio de histórias para contar.
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Uma vez, peguei um temporal na praia. Foi forte, foi feio, foi assustador. Imagine você, sua família, uma praia deserta, uma noite em que tudo pode acontecer e raios ali bem perto, do seu lado. Pânico. Achei que ia morrer. Mas sobrevivi, sobrevivemos. Durante muito tempo fiquei com medo dos temporais. Hoje em dia eles me fascinam. Fico olhando cada raio, cada nuvem preta, cada relâmpago. É bem verdade que dou muitos pulos por causa dos trovões - eles me pegam de surpresa e me amedrontam, confesso. Mas os temporais são bonitos, pelo menos pra mim. É a natureza gritando, se expressando, dizendo ei-olha-pra-mim.
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Você, quando está brabo, grita. Eu, quando estou nervosa, tenho ataque. A natureza, quando se rebela ou tá a fim de uma confusão, manda um temporal e dá o seu showzinho particular. Eu gosto. É claro que fico com pena de quem não tem onde morar, de quem está vagando pela rua, de quem morre atingido por um raio, de quem tem a casa inundada, dos deslizamentos, das mortes, de tudo isso. Não pense que não tenho coração. Por favor, tire a parte negativa, as enchentes, a falta de luz, os contratempos, o caos na vida e no trânsito. Vamos nos fixar na beleza dos temporais. Eles são, sim, bonitos. Assustadores, mas bonitos. Dão apertos no peito, mas possuem uma beleza exótica.
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A chuva sempre me fez refletir. Sei lá, penso em tudo. Passado, presente, futuro. Planos rabiscados, sonhos entalados na garganta, vontades pela metade, coisas assim. Todo mundo tem pedaços soltos. Fico pensando em tudo que eu quis um dia. Em tudo que deu certo. Em tudo que modifiquei. Em tudo que ainda quero. Em todas as saudades que sinto.

quinta-feira, 10 de março de 2011

"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)
(...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia 
Comum, generosa e bela, o planeta Terra."