Eu morro de inveja de gente que acorda cedo. Eu fico até o último minuto na cama, enrolada nos lençóis adiando eternamente o despertador por mais 5 minutos, até ter que acordar em sobressalto porque já passou da hora.
Acho o máximo aquela gente que chega no trabalho toda bonitinha, maquiada e com o ar mais fresco e belo do mundo. E eu? Descabelada, com cara de ontem e com a primeira roupa que eu vi no armário. Por isso é que eu uso sempre as mesmas coisas. Eu sujo, lavo, ponho por cima da pilha de roupa limpa. Depois só visto aquilo.
De vez em quando eu resolvo fazer umas escavações arqueológicas no meu armário. Abro acampamento, e entre as roupas de todos os dias encontro peças do período paleolítico.
Aí é razão para comemorar. Hora de se produzir para comemorar a roupa recém descober e que - felicidade! - ainda cabe.
A minha maquiagem é muito simples. Não abdico de blush, lápis de olho e corretor de olheiras. Depois uma sombra para os olhos, normalmente em tons de dourado, e o rímel. Gente, eu acho que rimel não faz a menor diferença. Ou talvez seja que eu só tenho rímel vagabundo, sei lá. Mas eu passo porque foi assim que mamãe ensinou.
Por fim, a "Pièce de résistance": o delineador preto. Sou apaixonada por olhos bem pretos desde que teve aquela novela, O Clone. A Jade tinha os olhos super carregados e eu sempre achei isso o máximo. Mas entre achar o máximo e conseguir reproduzir isso em mim se passaram uns anos.
Só ano passado eu aprendi a passar o delineador sem parecer que uma criança de três anos andou brincando com tinta guache na minha cara. Mas agora eu saio felizona, de olho pretão e miacabo na noite.
É... eu também morro de inveja de quem chega em casa às tantas da manhã e vai tirar a maquiagem. Eu só vou dormir. No dia seguinte eu acordo, vou escovar os dentes... E é mais ou menos essa cara que me olha de volta no espelho:















